24/08/2010

Cartolas tricolores e a hipocrisia


Após a demissão de Ricardo Gomes, a direção são-paulina resolveu promover Sérgio Baresi, treinador das categorias de base do clube, a comandante do elenco profissional. À época, a justificativa era a de que "a escolha se deve à sua identificação com o perfil do clube de continuar incentivando os valores formados na base do São Paulo", e não porque não havia treinador com calibre para treinar o tricolor.

Entretanto, depois de dois empates e uma derrota com "D" maiúsculo sofrida para o Corinthians, toda a justificativa foi para o ralo. Isso porque a diretoria são-paulina disse nunca ter escondido que Baresi era interino e o devolveu à antiga função. Até aí, tudo bem. Mas três jogos foram suficientes para acabar com a identificação do treinador com o perfil do clube?

A diretoria do São Paulo, arrogante e prepotente, segue a linha do "aqui, não!". Segundo eles, aqui, ou melhor, lá não não se faz "patrocínio de ocasião" - embora tenham feito na Libertadores -, não há mau planejamento - embora o clube tenha errado em diversas contratações e, por isso, fracassado em seus objetivos -, que o São Paulo não joga a Copa do Brasil, afinal, está sempre entre os primeiros e não consegue sequer se imaginar atuando na competição nacional, e não conversam, de modo algum, com torcedores organizados - embora ontem tenham deixado os torcedores conversar com alguns jogadores e, posteriormente, com a diretoria.

Contrariando todas as correntes filosóficas do mantra "aqui, não!", o vice-presidente de futebol do clube, Leco, declarou que a invasão foi positiva. Isso mesmo, positiva (!!!). Mais um ponto para a empáfia da diretoria, que acaba por respingar nos torcedores e também consegue os tornar petulantes.

Se autodenominam "diretores modelos" e, por isso, não admitem que erram. Não admitem que erraram ao contratar Ricardo Gomes, ao segurarem Hernanes ao invés de aceitar o pedido do atleta e vendê-lo, ao contratar jogadores sem capacidade para vestir a camisa do clube, ao afirmar que patrocínio de ocasião é falta de planejamento, entre outros.

Parecem imaginar que estão acima do bem e do mal, que não são mortais, de carne e osso. Afirmam, sem medo de errar, que "clube grande não cai", desprezando, de maneira asquerosa, Palmeiras, Grêmio, Botafogo, Atlético Mineiro, Corinthians e Vasco. Mas esquecem, embora sejam intocáveis e supremos, que esses clubes foram e continuam sendo importantes para a história do próprio São Paulo.

O calendário marca final de agosto e o que se vê é um clube que não conseguiu patrocinadores, apesar de ter dito, inicialmente, que empresas faziam fila para o patrocinar. Não foi essa arrogância e prepotência que levou o clube à conquista de três títulos da Libertadores e do Mundial, além de seis Campeonatos Brasileiros. O problema do São Paulo não era Muricy Ramalho, não era Ricardo Gomes, não é Sérgio Baresi, tampouco Dagoberto. O problema são-paulino é lá em cima, no alto da ponta do empinado nariz.

Gustavo Dario - Fala, Dario! | @faladario

0 comentários:

Postar um comentário

Brasileirão 2010

Carregando tabela de Central Brasileirão...
Tabela gerada por Central Brasileirão